Existe uma indústria vendendo “os 500 prompts secretos”. Quase tudo ali é enfeite.

Prompt bom tem quatro elementos. Quando a resposta vem ruim, quase sempre falta um deles — e na maioria das vezes é o mesmo.

Os quatro elementos

Contexto. Quem você é, para quem é isso, qual a situação. Sem contexto, a resposta é genérica porque a pergunta foi genérica.

Tarefa. O que exatamente você quer. “Melhore este texto” é vago. “Corte 30% mantendo os números” é executável.

Formato. Como a resposta deve sair. Lista, tabela, três parágrafos, e-mail curto. Sem isso você recebe o formato médio da internet.

Restrição. O que não fazer. É o mais esquecido e o que mais melhora o resultado.

O que mais falta é a restrição

Repare no padrão: quando alguém reclama que a resposta veio “genérica”, “cheia de clichê” ou “com cara de IA”, o que faltou foi restrição.

Compare.

Sem: “Escreva um post sobre produtividade.”

Com: “Escreva um post sobre produtividade para donos de empresa pequena. Sem introdução genérica, sem a palavra ‘transformador’, sem listas de mais de cinco itens. Comece por um exemplo concreto. Máximo 200 palavras.”

O segundo funciona porque você tirou do caminho tudo que a máquina produziria por padrão. Dizer o que não fazer é mais eficiente que descrever o que fazer.

O truque que resolve metade dos casos

Antes de pedir qualquer coisa, peça o contrário: que ele te faça perguntas.

“Quero escrever uma proposta comercial. Antes de escrever, me faça as cinco perguntas que você precisa responder para fazer isso bem.”

Ele vai perguntar coisas que você não tinha pensado em informar. Você responde e aí pede o texto. A diferença de qualidade é grande, e o custo é uma mensagem a mais.

Funciona porque o problema quase nunca é a capacidade dele. É a informação que ficou na sua cabeça.

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Erros que estragam a resposta

Pedir várias coisas de uma vez. “Resuma, traduza e faça um post disso.” Ele faz as três mal. Separe.

Não dar exemplo. Se você tem um texto no tom que quer, cole. Um exemplo vale mais que três parágrafos de descrição.

Aceitar a primeira resposta. A primeira é rascunho. O ganho está em “está longo, corta pela metade” e “o segundo parágrafo ficou genérico, refaz”.

Elogiar antes de corrigir. “Ficou ótimo, mas…” confunde. Diga o que está errado, direto.

Começar do zero toda vez. Se você já fez isso bem antes, reaproveite o prompt.

Como criar modelo reutilizável

Aqui está o ganho que compõe ao longo do tempo.

Quando um prompt funcionar bem, não jogue fora. Peça: “Transforme o que acabamos de fazer num modelo com as partes variáveis marcadas.”

Você recebe algo como: “Escreva um [tipo de texto] para [público], no tom [tom], com no máximo [tamanho], evitando [o que evitar].”

Guarde num documento. Em dois meses você tem uma biblioteca própria, calibrada no seu negócio — e isso nenhum pacote de “500 prompts” te dá, porque depende do seu contexto.

Prompt bom não é o que você achou na internet. É o que você refinou três vezes e guardou.

Quando o prompt não é o problema

Vale reconhecer o limite.

Se você está pedindo informação recente e a ferramenta não busca na web, nenhum prompt resolve. Se está pedindo algo que exige dado interno que ele não tem, também não. E se você mesmo não sabe como seria a resposta boa, o problema não é o prompt — é que a tarefa ainda não está clara na sua cabeça.

Nesse último caso, o melhor uso é conversar com ele até a tarefa ficar clara. Aí você escreve o prompt.

O que fazer nesta semana

  • Pegue um prompt que te deu resposta ruim e adicione uma restrição: o que não fazer. Compare.
  • Use o truque das perguntas antes de qualquer pedido complexo.
  • Guarde os três prompts que mais funcionaram num documento. É o começo da sua biblioteca.
  • Pare de aceitar a primeira resposta. Peça uma correção específica, sempre.