Você não precisa entender como a tecnologia funciona por dentro. Precisa entender o que cada termo significa para a sua decisão — o que muda em custo, risco ou prazo.
Este dicionário é escrito nessa chave. Nenhuma definição técnica; todas com a consequência prática.
Os fundamentais
Modelo. O sistema que gera a resposta. Existem vários, de empresas diferentes. Para você: modelo é como marca de carro — a diferença entre os principais raramente decide seu projeto. Onde ele está integrado decide mais.
Prompt. A instrução que você escreve. Para você: qualidade de prompt explica mais variação de resultado que escolha de modelo. É treinável em uma tarde.
Contexto. A informação que o modelo tem na mão naquela conversa. Para você: quando alguém diz “a IA não sabe da nossa empresa”, o que falta é contexto, não treino. Resolver contexto é barato.
Alucinação. Quando o modelo produz informação falsa com aparência de verdade. Para você: é o motivo de “resultado verificável” ser critério de escolha de processo. Não é bug que será corrigido — é característica a gerenciar.
Token. A unidade de cobrança de quase todas as ferramentas por uso. Para você: significa que o custo cresce com o volume. Piloto barato pode virar conta grande quando o time inteiro entra. Pergunte sempre como o preço escala.
O que aparece em proposta de fornecedor
Agente. Sistema que executa vários passos sozinho, usando ferramentas e corrigindo o próprio caminho. Para você: só se justifica quando o caminho muda a cada caso. Se o fluxo é sempre igual, automação comum é mais barata e erra menos.
RAG. Técnica de buscar nos seus documentos antes de responder. Para você: é o que quase toda empresa quer quando diz “treinar a IA com nossos dados”. Custa uma fração de treinar e é atualizável.
Fine-tuning (ajuste fino). Alterar o modelo com exemplos seus. Para você: caro, demorado e raramente necessário. Se um fornecedor propõe isso para “a IA conhecer sua empresa”, peça para ele justificar por que RAG não resolve.
Multimodal. Lida com texto, imagem, áudio. Para você: importa se seu processo envolve documento escaneado, foto ou gravação. Se é só texto, é irrelevante para a decisão.
Janela de contexto. Quanto material cabe de uma vez. Para você: define se dá para colar um contrato inteiro ou só um trecho.
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Os que envolvem risco
Dados de treinamento. O que a empresa dona do modelo usa para melhorá-lo. Para você: a pergunta que importa é se o que você cola entra nisso. Em planos gratuitos, frequentemente sim. Em empresariais, geralmente não — mas confirme no contrato.
Humano no circuito. Desenho em que uma pessoa aprova antes de a ação acontecer. Para você: é a proteção mais barata que existe. Deveria ser o padrão em tudo que sai para cliente.
Viés. Tendência sistemática do modelo a favorecer certos resultados. Para você: é o motivo de nunca automatizar decisão sobre pessoas. O erro é difícil de detectar e caro juridicamente.
Autonomia. Quanto o sistema faz sem aprovação. Para você: comece em zero. Aumente só nos tipos de caso em que ele acertou de forma consistente por semanas.
Os que aparecem em SEO e marketing
GEO. Otimizar para ser citado por assistentes de IA, em vez de ranquear no Google. Para você: é a versão nova do SEO, e o prazo de retorno é mais curto — semanas em vez de meses.
AI Overview. A resposta gerada que aparece no topo do Google. Para você: reduz cliques mesmo quando você está bem posicionado. Ser citado nela virou objetivo próprio.
O termo que mais confunde
“IA” sozinho. É guarda-chuva para coisas muito diferentes, com custos e riscos que não se parecem.
Quando alguém disser “vamos usar IA nisso”, a pergunta útil é: IA para gerar, para classificar ou para executar?
Gerar é escrever, resumir, criar rascunho — barato e de risco baixo. Classificar é organizar e priorizar — barato e de risco médio, porque erro esconde. Executar é agir em sistemas — mais caro e de risco alto, porque a ação acontece.
Proposta que não separa essas três está vendendo categoria, não solução.
Você não precisa saber como funciona. Precisa saber o que muda no seu custo, no seu risco e no seu prazo. Fornecedor que não consegue explicar nesses termos não entendeu o seu problema.
O que fazer nesta semana
- Pegue a última proposta que você recebeu e marque os termos que não sabia. Consulte aqui.
- Em qualquer conversa com fornecedor, pergunte: é para gerar, classificar ou executar?
- Se alguém propuser treinar um modelo, peça a justificativa de por que contexto não resolve.
- Confirme no contrato se o que você cola entra em treinamento. É a única pergunta obrigatória.


