A pessoa senta para escrever, olha a tela e conclui que não tem nada relevante a dizer. Meia hora depois, no grupo do time, ela manda três parágrafos explicando por que uma decisão do mercado é um erro — e não percebe que acabou de escrever o melhor post do mês.
Isso acontece o tempo todo, e a causa tem nome: maldição do conhecimento. Você sabe tanto sobre o seu assunto que aquilo que é básico para você parece óbvio para todo mundo. Não é. É óbvio para os seus pares, que são umas cem pessoas. Para os seus clientes, que são milhares, é revelação.
O filtro do “isso é muito básico” é o que mais destrói conteúdo bom antes de ele existir.
A regra que desarma o filtro
Antes de descartar uma ideia, faça uma pergunta: quem precisa saber disso?
Se a resposta for “qualquer profissional da minha área”, pode ser básico mesmo. Se for “meu cliente”, publique — mesmo que pareça elementar, mesmo que você tenha explicado isso quinze vezes esta semana.
Aliás, o fato de você ter explicado quinze vezes é a prova de que o assunto tem demanda. Conteúdo que você repete em reunião é conteúdo validado por mercado.
Onze pautas que já existem na sua semana
Você não precisa de criatividade. Precisa de inventário. Estas são as fontes que quase nunca secam:
1. A pergunta repetida. A que você respondeu mais de três vezes no último mês. Responda em público, com o cuidado que você teria numa proposta.
2. O erro que você cometeu. Específico, com o custo. É o formato que mais gera confiança, porque ninguém inventa fracasso detalhado para se promover.
3. A decisão que você tomou e o porquê. Não a conclusão — o caminho. Por que descartou as outras opções, o que quase escolheu, o que aprendeu no processo.
4. A opinião impopular. Algo que boa parte do seu mercado defende e você acha errado. Sem isso, você não tem posicionamento, tem presença.
5. O motivo de recusar um cliente. Revela seu padrão e filtra quem não deveria te procurar. Dupla função.
6. O bastidor com número. Qualquer coisa da operação que tenha um dado real. Número transforma opinião em observação.
7. A comparação honesta. Duas ferramentas, dois métodos, dois caminhos — com a sua escolha e o critério. As pessoas buscam exatamente isso antes de decidir.
8. O que mudou de opinião. “Eu defendia X, hoje defendo Y, e foi isso que me fez mudar.” Raro, humano e muito lido.
9. A tradução. Pegue algo complexo do seu campo e explique para quem não é da área. Serviço público e prova de domínio ao mesmo tempo.
10. O processo passo a passo. Como você faz uma coisa específica, do começo ao fim. Medo de “entregar o ouro” é infundado: método publicado atrai quem quer contratar, não quem quer copiar.
11. A correção pública. Você publicou algo, descobriu que estava errado, corrige. Custa orgulho e paga em credibilidade — poucas coisas constroem tanta autoridade.
AV2 TECH A gente monta o banco de pautas a partir do que já acontece na sua empresa — reuniões, dúvidas de cliente, decisões — e transforma em calendário. Chamar no @av2tech →
O banco de pautas resolve para sempre
Ter ideia na hora de publicar é o pior momento possível para ter ideia. A solução é separar os dois momentos.
Mantenha uma lista única — bloco de notas serve — onde entra qualquer coisa que apareça: uma pergunta de cliente, uma frase que você falou numa reunião, um artigo que te irritou, uma dúvida sua. Sem organizar, sem julgar, sem formatar.
Na hora de publicar, você não pensa: escolhe da lista.
Duas semanas alimentando essa lista e o problema de “não sei o que postar” desaparece de forma permanente. Não porque você ficou mais criativo, mas porque parou de exigir criatividade sob pressão.
A tela em branco não é um problema de inspiração. É um erro de processo: você está tentando ter a ideia e executá-la no mesmo instante.
O que evitar
Vale saber o que não fazer, porque algumas escolhas dão trabalho e não constroem nada.
Notícia sem opinião. Repassar o que aconteceu, sem posicionamento, é serviço de agregador. Você não compete com portal de notícia — sua vantagem é ter opinião sobre ela.
Motivacional genérico. Alcança bem e não vende nada. Atrai gente que quer inspiração, não gente que quer contratar.
Conteúdo sobre conteúdo. Falar sobre como fazer conteúdo, quando esse não é o seu negócio, atrai colegas de profissão, não clientes.
A frase pronta sem contexto. Aforismo bonito sem caso concreto por trás soa vazio, e a internet está saturada disso.
Como saber se a pauta é boa antes de escrever
Um teste rápido, de três perguntas:
Alguém pode discordar disso? Se não, é informação, não posicionamento — e informação genérica já existe em toda parte.
Só eu poderia ter escrito? Se qualquer concorrente poderia publicar igual, não diferencia.
Meu cliente ideal se importa? Se a resposta é “meus colegas se importam”, você está escrevendo para o público errado.
Duas respostas boas em três já justificam publicar. Três, você tem um bom post.
O que fazer nesta semana
- Abra um arquivo e anote as cinco perguntas que você mais respondeu no último mês. Você acabou de criar cinco pautas.
- Escreva a que parece mais óbvia. Justamente ela — o óbvio para você é o que seu cliente procura no Google.
- Comece o banco de pautas hoje e alimente por duas semanas sem publicar nada dele. Depois nunca mais falta assunto.
- Escolha uma opinião sua que parte do mercado rejeitaria e publique. Sem ela, seu conteúdo é informação; com ela, vira posição.


