Toda conversa sobre fundador aparecendo trava no mesmo lugar: quanto isso vai custar da minha semana.
A resposta é noventa minutos. Não noventa minutos por dia — noventa por semana, bem distribuídos. Abaixo disso, o esforço não acumula e você vai desistir com razão. Acima disso, no começo, você atrapalha a empresa que o conteúdo deveria ajudar.
O que decide o resultado não é o total de horas. É onde elas são gastas.
Por que noventa minutos e não trinta
Reputação funciona por repetição, e repetição exige um mínimo de frequência para que a memória se forme. Alguém que publica uma vez a cada três semanas nunca ultrapassa o limiar em que o leitor associa seu nome a um assunto — cada post é o primeiro de novo.
Duas publicações semanais é o piso prático. Uma análise mais densa a cada quinze dias, mais uma opinião curta por semana, sustenta isso.
O tempo se distribui mais ou menos assim: quarenta minutos para produzir o conteúdo denso (em semana alternada), vinte para a opinião curta, vinte para responder comentários e mensagens, e dez de captura espalhados pela semana em pedaços de trinta segundos.
Os últimos dez minutos são os mais importantes e os que ninguém agenda.
A captura é o segredo, não a escrita
Quem trava na frente da tela travou porque está tentando inventar conteúdo. Fundador não deveria inventar nada — ele já produz material relevante o dia inteiro e joga fora.
Naquela reunião, você explicou pela quinta vez por que o cliente não deveria fazer X. Isso é um post. Você recusou um projeto por um motivo específico. Post. Descobriu que uma ferramenta que todo mundo usa não serve para o seu caso. Post. Discordou de algo que o mercado repete. Post.
A prática que resolve isso é constrangedoramente simples: grave trinta segundos de áudio no fim de toda reunião relevante, dizendo em voz alta qual foi o ponto principal. Sem estrutura, sem cuidado, sem pensar em publicação.
No fim da semana você tem cinco ou seis áudios. Nunca mais existe tela em branco — e a hora de “criar conteúdo” vira hora de organizar conteúdo, que é uma tarefa muito mais leve.
AV2 TECH No nosso modelo, o fundador só grava. Pauta, edição, publicação e distribuição ficam com a gente — os noventa minutos viram vinte. Chamar no @av2tech →
Onde encaixar sem quebrar a agenda
Três formatos de encaixe funcionam, e o melhor depende de como sua semana é feita.
O bloco único. Uma hora e meia toda segunda de manhã, antes de qualquer reunião. Vantagem: protege o tempo de verdade. Risco: se a segunda vira caos, a semana inteira cai.
O par de blocos. Quarenta e cinco minutos em dois dias. Mais resiliente — perder um dia não zera a semana. É o que mais dura na prática.
A borda de reunião. Quinze minutos reservados logo depois das reuniões que já existem, aproveitando que o assunto está quente na cabeça. É o mais eficiente e o mais difícil de manter, porque reunião sempre estoura.
O que não funciona, e vale dizer claramente: “quando sobrar tempo”. Nunca sobra. Conteúdo que depende de sobra de agenda não acontece por mais de três semanas.
O que delegar e o que não
Delegar é o que torna isso sustentável — mas delegar a coisa errada mata o efeito.
Pode sair da sua mão sem perda: transcrição, edição de vídeo, formatação, agendamento, corte de trechos, adaptação para outra rede, respostas a dúvidas puramente operacionais.
Não pode sair: a opinião, o caso concreto, os números da sua operação e a resposta ao comentário que merece atenção. É esse conjunto que o leitor compra. Terceirizado, o conteúdo continua saindo — e para de funcionar, sem que ninguém entenda por quê.
Delegue a produção, nunca o ponto de vista. O primeiro é trabalho; o segundo é o produto.
Os primeiros noventa dias
Vale ter expectativa calibrada, porque quase toda desistência acontece por expectativa errada, não por falta de tempo.
Primeiro mês: quase nada acontece. Alcance baixo, poucos comentários, sensação de estar falando sozinho. É o normal, e é onde a maioria para.
Segundo mês: começam as primeiras mensagens de gente citando algo específico que você escreveu. O alcance ainda é irregular.
Terceiro mês: aparece a primeira conversa comercial que nasceu de conteúdo. Costuma ser desproporcional — o cliente chega mais preparado e mais decidido que qualquer lead de anúncio.
A partir do quarto, o efeito começa a compor: o material antigo continua trabalhando enquanto você produz o novo.
Se você não aguenta três meses sem retorno visível, esse canal não é para agora — e tudo bem admitir isso antes de começar em vez de desistir no meio, o que é pior, porque deixa um perfil abandonado como cartão de visita.
Como saber se o tempo está sendo bem gasto
Um único indicador basta no começo: quantas conversas comerciais mencionaram seu conteúdo.
Anote isso num lugar simples. Se em noventa dias o número for zero, o problema não é tempo — é o que você está publicando, e provavelmente está genérico demais para alguém lembrar.
Se o número for um ou dois, está funcionando. Parece pouco, mas compare com o custo de aquisição do seu anúncio e refaça a conta.
O que fazer nesta semana
- Escolha o formato de encaixe e ponha no calendário como compromisso fixo, com o mesmo peso de reunião com cliente.
- Instale a captura: trinta segundos de áudio ao fim de cada reunião relevante, sem exceção.
- Defina agora o que você vai delegar e o que jamais sai da sua mão. Escreva.
- Crie a planilha mais simples possível com uma coluna: conversas comerciais que citaram conteúdo. Preencha por noventa dias antes de julgar.


